Tradução automática reinventada

Tradutor Bing
Você provavelmente já utilizou um serviço online de tradução automática. Talvez recorra a esses tradutores com uma certa frequência, mesmo lembrando de como algumas traduções, especialmente no passado, tinham uma forma estranha, muitas vezes pouco natural ao falante nativo e, não raro, sentenças ininteligíveis. Apesar das evidentes deficiências, tais recursos sempre foram dos mais populares da Internet. Pois melhor eles do que nada, ou ter que apelar para a morosa tradução totalmente manual, quando simplesmente necessitávamos ter uma compreensão ao menos parcial de algum texto estrangeiro.

Nos ensina a Wikipédia: "A ideia da tradução automática remonta ao século XVII. Em 1629, René Descartes propôs uma língua universal, em que ideias equivalentes em diferentes línguas partilhavam o mesmo símbolo. A experiência Georgetown (1954) incluiu a tradução completamente automática de mais de 60 frases do russo para o inglês. A experiência foi um grande sucesso, e marcou o começo de uma era em que a investigação em tradução automática foi abundantemente financiada. Os autores consideravam que em três a cinco anos a tradução automática seria um problema trivial."


Problema trivial? Décadas e décadas depois, a tradução por software está longe de ser perfeita. Mas com certeza a qualidade já pouco se parece com aquela dos tempos do tradutor Altavista. Recentemente foi lançado um serviço online de tradução, da empresa homônima alemã DeepL, que tem impressionado os usuários. "É uma ferramenta de tradução tão rápida quanto a dos concorrentes, porém mais precisa e refinada que qualquer outra que já experimentamos", atestaram Devin Coldewey e Frederic Lardinois em artigo no TechCrunch. O fundador do DeepL, Gereon Frahling, contou-lhes que construíram uma "rede de tradução neural que incorpora a maioria dos últimos desenvolvimentos", aos quais a equipe adicionou "suas próprias ideias."

O time da Microsoft, por sua vez, não demorou a apresentar sua máquina de tradução apoiada por inteligência artificial. Explicam que "todos os produtos de tradução automática (sites ou aplicativos) disponíveis até o final de 2016 eram baseados em algoritmos que usavam métodos estatísticos para tentar adivinhar a melhor tradução possível para uma determinada palavra. Esta tecnologia é chamada de tradução automática estatística." No artigo "O que é uma tradução baseada em redes neurais?" esclarecem uma de suas limitações: "só traduz palavras no contexto de algumas palavras antes e depois da palavra traduzida. Para frases pequenas, funciona muito bem. Para aquelas maiores, a qualidade da tradução pode variar de muito boa para, em alguns casos, beirar o absurdo. É quase sempre possível ver que a tradução foi gerada por máquinas", completam.

A Microsoft disponibilizou nos últimos dias uma página onde é possível introduzir um texto e fazer a comparação entre as versões de sua tradução estatística e neural. A ferramenta possui o português como opção de origem ou destino de tradução, ausente por ora, lamentavelmente, na DeepL. 


Pode testar e comparar essas e várias outras ferramentas que estão no páreo pelas melhores traduções automáticas, aqui. Mas é provável que essa corrida ainda esteja longe do fim, e demoremos ainda para conhecer seu pódio.

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